O Trabalho 2
Existe preconceito para quem sai de licença por causa de depressão? Existe. Mas eu acredito que esse é o menor dos problemas.
Acredito que temos que encarar ficar deprimido como se estivéssemos com qualquer outra doença que nos deixa de cama: uma gripe forte, uma infecção, uma dor na coluna, enfim, algo que merece ser tratado com o mesmo respeito e cuidado de qualquer afecção física. Só que no caso é psíquica, neuroquímica. O cérebro está doente.
Não se sinta culpado de não estar trabalhando. Pense que você está se recuperando. Está se tratando para ficar bem. Demora um pouco mais que uma gripe, mas o princípio é o mesmo.
Na depressão, como expliquei, estamos nos conhecendo de novo e temos que rever todos os nossos conceitos.
Se eu não estou trabalhando ou se continuo trabalhando mal e mal enquanto deprimido, não dá para evitar de reavaliar o próprio trabalho.
Se eu tiver um trabalho que eu goste, que me estimule, que me divirta, que me recompense satisfatoriamente, terei todos os motivos para voltar para ele assim que eu puder. Do contrario, será que é isso mesmo que eu deveria estar fazendo? Será que sou obrigado a ter esse trabalho mesmo? E se obrigado, como lidar com essa obrigação para que eu seja mais feliz? Porque depois de uma depressão, para sair de uma depressão tudo gira em torno de nossa felicidade.
O período da cura da depressão envolve análise de todos os aspectos de nossa vida para não entrarmos de novo no buraco. Fazer mudanças que sejam boas, descartar o que não nos faz bem.
Se você tem um trabalho que o deixa feliz e se sentindo bem com você, vá trabalhar!